Sobre a Global Choro Music Corporation

Meu nome é Daniel Dalarossa e sou o fundador da Global Choro Music.

Fundada no estado da Califórnia, Estados Unidos da América, com uma filial em São Paulo/Brasil, a Global Choro Music Corporation tem como grande sonho e meta fazer com que o Choro brasileiro seja divulgado, conhecido e executado no mundo todo.

O Choro, primeiro gênero instrumental da música popular brasileira, aparece em 1870 no Rio de Janeiro como decorrência da fusão de estilos musicais e ritmos europeus e africanos.

Na evolução dos gêneros musicais existentes dentro da música popular brasileira, o Choro acaba influenciando direta ou indiretamente a criação do samba, da bossa nova e de muitos outros gêneros musicais.

Os projetos da Global Choro Music refletem essa evolução. Embora seu foco essencial tenha sido dirigido ao choro, conduzimos vários outros projetos em que o samba, o frevo, o maxixe, o baião e uma variedade de outros gêneros musicais estão presentes.  Até o "primo americano" do choro, o ragtime, ganhou recentemente espaço em nosso site.

A utilização do inglês em nossa comunicação como empresa é uma questão comumente levantada por clientes em geral.

Gostaríamos de esclarecer alguns aspectos relacionados a isso nas linhas a seguir.

Questão: começando pelo nome da empresa, por que "Choro Music", em inglês?

Resposta: porque a empresa foi criada nos Estados Unidos, com o objetivo principal de atingir americanos, europeus, japoneses e pessoas de várias partes do mundo.

Assim como outros sites exploram outros estilos de música (jazzmusic.com, fadomusic.com, etc.), o nosso explora o mundo do choro e da música instrumental brasileira. 

Questão: por que usar a palavra "songbook" e não uma expressão equivalente em português?

Porque simplesmente não encontramos nenhuma outra palavra na língua portuguesa que passasse corretamente o significado. A expressão mais próxima seria "álbum de música", que não nos parece adequada. 

Além de ser uma palavra adotada mundialmente, songbook designa um livro com textos, partituras e CD. 

Questão: por que os álbuns da Choro Music estão em inglês e em português ? 

Resposta: em 2006, quando lançamos as primeiras edições de Ernesto Nazareth, no Brasil os álbuns eram inteiramente em português, e nos Estados Unidos os mesmos álbuns eram totalmente em inglês. O plano era também produzirmos álbuns inteiramente em japonês.

A idéia de álbuns bilíngues nunca me agradou, porque não se consegue tratar todas as questões de traduções adequadamente.  

Veja as fotos: 

Quando da produção do terceiro volume de Ernesto Nazareth e dos trabalhos da versão japonesa, observei o tamanho do problema que tínhamos pela frente. 

O "álbum de música" ou "livro de música" difere  do livro tradicional principalmente pelas partituras.

A designação "songbook" foi então incorporada, embora não tenha sido de meu inteiro agrado por ser uma palavra em inglês, mas por outro lado sem dúvida facilitaria a comunicação com o cliente internacional. 

Nosso songbook contém tipicamente 12 músicas. Para cada música publicamos as partituras nas versões Dó, Si Bemol e Mi Bemol, ou seja, são 36 partituras por songbook.

Principalmente nas partituras de Ernesto Nazareth, dois aspectos estão bem marcados: as dedicatórias e as expressões musicais.

Fica fácil observar que o trabalho de criação, revisão e –principalmente - manutenção das partituras em três línguas para cada songbook, com nuances de dedicatórias e expressões musicais em cada partitura, não somente traria problemas de custos associados a estoque, como também fatalmente afetaria a qualidade final dos songbooks. 

Foi nesse instante que resolvi "sucumbir" à idéia do songbook bilíngue (com a qual nosso pessoal de São Paulo já vinha insistindo há tempos), e adotar o esquema de duas línguas.

Embora, contra a minha vontade inicial em particular, pude observar que a simplificação no final traria uma qualidade superior ao nosso material. Mas ... os problemas que mencionei no início deste texto acabaram aparecendo:

- o que fazer com as dedicatórias ?

Nossa solução foi traduzir para o inglês e colocar um adendo no final do songbook com o significado em português (colocar em bilíngue poluiria demais a partitura).

- o que fazer com as expressões musicais ?

Nossa solução foi a de não traduzir as expressões em italiano, já que essa é a linguagem universal da música. As expressões em português, essas sim, seriam traduzidas para o inglês.

- o que fazer com os títulos das músicas?

Permaneceriam em português, com a tradução em fontes menores, embaixo do titulo.

- o que fazer com o texto interno dos songbook?

Ficaria em inglês e português. Português do lado esquerdo da página, inglês do lado direito.

- o que fazer com a capa, fotos, legendas, etc.?

O texto apareceria primeiramente em inglês e em seguida em português, com fontes menores.

Este aspecto poderia transmitir (segundo comentários de clientes que chegaram até nós) a percepção de que "os songbooks estão predominantemente em inglês e com tradução acessória em português", o que na minha opinião não corresponde à realidade. Os textos internos do songbook estão igualmente divididos entre português e inglês.

O inglês tem sido a língua internacional de fato nos últimos 100 anos. Há dois mil anos teria sido o grego. Tivemos que fazer uma opção ao priorizar uma ou outra língua, e nossa opção foi priorizar o inglês.

A capa dos songbooks poderia ser diferente, trazendo o inverso, ou seja, os dizeres principais em português e uma tradução em fontes menores em inglês? Sim, aqui foi uma questão de escolha. Minha escolha foi seguir o padrão internacional, para atingir um maior número de pessoas e priorizar -na capa- o inglês.

Poderíamos pensar inclusive de outra forma: "tiramos o português dos songbooks e deixamos somente em inglês. Somente um idioma". Mas acho que isso seria um desrespeito para com o publico brasileiro. Tento voltar no tempo, quando tinha 14 anos e visitava as lojas de partitura de São Paulo (Casa Manon, Casa Bevilácqua, Casa Mozart) na minha busca insaciável por partituras de choro, e sempre ouvia a mesma coisa dos vendedores: "Você de novo? Você já esteve aqui há 3 meses e comprou tudo que havia! O pessoal não edita esse tipo de coisa!"  

As partituras agora estão aí, não somente as partituras mas também os CDs, para que os garotos - como eu na minha época com minha flauta doce - possam tocar junto. Podem também ler e entender todo o histórico, biografia e comentários sobre o compositor. 

Em 2008, num evento de música da cidade de Frankfurt (Frankfurt Messe), fui perguntado por que nossos songbooks estavam parcialmente em português. Perguntei à pessoa:  "em que outra língua então deveriam estar, além do inglês?"  A resposta foi: "Alemão. Óbvio, inglês e alemão".

A comunidade latina onde moro, na Califórnia, é enorme, e frequentemente me fazem a seguinte observação: "vocês deveriam ter feito os songbooks em inglês e espanhol, não em inglês e português"

A polêmica da segunda língua sempre vai existir.