O Choro e sua História
COM IZAÍAS E ISRAEL ENTRE AMIGOS

O Centro Popular de Cultura da UMES leva ao palco o projeto "O Choro e sua História". Todas as segundas-feiras, de 2 de fevereiro a 22 de junho, os irmãos Izaías e Israel Bueno de Almeida - verdadeiras legendas do choro - receberão, no Teatro Denoy de Oliveira, importantes músicos do país para homenagear os imortais do choro brasileiro.

Ao todo serão 20 espetáculos, e, em cada noite, sempre às 20h30, o regional composto por Izaías (bandolim), Israel (violão 7 cordas), Edmilson Capelupi (violão 6 cordas), Haroldo Capelupi (cavaquinho) e Zequinha (pandeiro) subirá ao palco com um convidado especial homenageando a obra de um grande chorão.

A idéia de transportar este projeto para o palco surgiu a partir da coleção "O CHORO E SUA HISTÓRIA", lançada pela gravadora CPC-UMES em dezembro de 2006. Protagonizada por Izaías e Israel, a coleção reúne em três CDs uma ampla retrospectiva do choro brasileiro, de 1870 aos dias atuais.

O Teatro Denoy de Oliveira fica na Rua Rui Barbosa, 323, Bela Vista.
A entrada é franca.

A relação completa dos 20 convidados e homenageados é a que segue:
02/02: Antonio Bombarda - Interpretando Jacob do Bandolim
09/02: Léa Freire e Teco Cardoso Quinteto - Interpretando Francisco Mignone
16/02: Luizinho 7 Cordas e Alexandre Ribeiro - Interpretando Severino Araújo
02/03: Flor Amorosa - Interpretando choros cantados de diversos autores
09/03: Arnaldinho - Interpretando Waldir Azevedo
16/03: Marco Antonio Bernardo - Interpretando Canhotinho
23/03: Ítalo Peron e Paola Picherzky - Interpretando Armandinho Neves
30/03: Marcos Gomes - Interpretando Dilermando Reis
06/04: Conjunto Paulistano - Interpretando Altamiro Carrilho
13/04: Thiago França - Interpretando Luís Americano
20/04: Regional do Alemão - Interpretando Pixinguinha
27/04: Barão do Pandeiro - Interpretando João da Bahiana
04/05: Ted Falcon - Interpretando Ernesto Nazareth
11/05: Toninho Carrasqueira - Interpretando João Dias Carrasqueira
18/05: Vitor Lopes - Interpretando Abel Ferreira
25/05: Madeira de Vento - Interpretando K-Ximbinho
01/06: Chorando na Sombra - Interpretando Joaquim A. da Silva Callado
08/06: Roberto Mahn - Interpretando Sílvio Caldas
15/06: Quatro a Zero - Interpretando Radamés Ganattali
22/06: Dudáh Lopes - Interpretando Chiquinha Gonzaga

Segundas-feiras às 20h30
TEATRO DENOY DE OLIVEIRA
Sede Central da UMES
Rua Rui Barbosa, 323, Bela Vista
Tel: 3289-7475

 

Dia 9 de fevereiro
Izaías e Israel e regional recebem os convidados
Léa Freire e Teco Cardoso Quinteto

Unindo com maestria o popular e o erudito, dois dos mais importantes instrumentistas de nossa música, a flautista, compositora e arranjadora Léa Freire, e o saxofonista e flautista Teco Cardoso apresentam um rico repertório com choros, sambas e outros ritmos brasileiros.
À frente do quinteto - que conta com a participação dos músicos Tiago Costa (piano), Fernando de Marco (contrabaixo acústico) e Edu Ribeiro (bateria) -, Léa Freire e Teco Cardoso apresentam criações com arranjos cuidadosos que vão do formalismo à improvisação, sempre com um sotaque genuinamente brasileiro.
Desde cedo, Léa Freire ouvia eruditos brasileiros durante seus estudos de piano, quando também conheceu muitos autores estrangeiros. Interessando-se pelo rock, mais tarde, através do jazz, foi trazida de volta para a bossa nova e ao choro, abrindo caminho para os inúmeros ritmos brasileiros.
Teco Cardoso, filho de pianista erudita, atualmente é considerado um dos mais requisitados flautistas/saxofonistas do país, e tem se dedicado ao desenvolvimento de uma linguagem própria e brasileira para seus instrumentos.

 
Homenageado
Francisco Mignone

Nascido em São Paulo em 1897, Francisco Mignone teve como seu primeiro professor um flautista, seu pai Alferio Mignone. Mas sua predileção foi o piano, instrumento que começou a estudar aos dez anos de idade. Iniciou sua carreira na música popular sob o pseudônimo de Chico Bororó, ganhando fama nas rodas de choro em bairros paulistanos como o Brás, Bexiga e Barra Funda.
Na década de 1920, foi estudar em Milão com Vincenzo Ferroni, onde escreveu sua primeira ópera: "O Contratador de Diamantes". Considerado um dos principais compositores eruditos do Brasil, Mignone consagrou-se mundialmente. A primeira audição da congada, uma peça orquestral dessa ópera, aconteceu sob a batuta de Richard Strauss, com a Orquestra Filarmônica de Viena, no Rio de Janeiro. Arturo Toscanini gravou a sua "Festa das Igrejas".
De volta ao Brasil em 1929, Mignone passou a buscar inspiração nas raízes brasileiras, compondo, entre outras, a "Primeira e Segunda fantasia brasileira" (para piano e orquestra), "Festas de Igrejas" (poema sinfônico) e a série das "12 Valsas de Esquina".
Várias de suas composições foram inspiradas no maracatu e em outros motivos folclóricos. "A música vem do povo e deve voltar para o povo", dizia ele. Nas décadas de 1970 e 80 compôs óperas como "Chalaça e O Sargento de Milícias", "Concerto para violão", "Nazarethianas", o bailado "O Caçador de Esmeraldas", este último inspirado em poema de Olavo Bilac. Mignone faleceu no Rio de Janeiro em 1986.

 

Dia 9 de Março
Izaías e Israel recebem
Arnaldinho

Instrumentista, arranjador e compositor, Arnaldo Galdino da Silva, conhecido como Arnaldinho, herdou o dom da música de seu pai, Nelson Pacheco da Silva. Nascido em São Paulo, aos 13 anos começou a participar de rodas de choro organizadas por seu pai, que toca violão, teclado e cavaquinho.
Seu primeiro mestre foi o bandolinista Manuel Monteiro, com quem aprendeu leitura. Com o professor José de Oliveira, teve aulas de violão clássico, e com a professora Ondina Magalhães estudou teoria musical.
Arnaldinho cita o cavaquinista Zinomar Pereira, Evandro do Bandolim, o violonista clássico José de Oliveira, o bandolinista Izaias e Luizinho 7 Cordas como os mais importantes músicos com que convive e conviveu, no sentido de tê-lo ensinado a ser o cavaquinista que é hoje.
Atuou no Regional do Evandro e acompanhou o cantor Jamelão por quase catorze anos.
Arnaldinho destaca ainda como marcante a gravação de dois CDs, um de choro e outro de samba: "Na Chama Do Choro – Arnaldinho & Família Contemporânea" (CPC-UMES, 2001), e o CD "Consequência", da cantora Silvilí (Produção Independente, 2007).

Homenageado
Waldir Azevedo

Nascido em 27 de janeiro de 1923, Waldir Azevedo foi criado no subúrbio do Rio de Janeiro onde aprendeu a tocar flauta, violão e cavaquinho.
Considerado o mestre do cavaquinho, Waldir Azevedo é o responsável por elevar o instrumento à posição de solista, tirando-o do anonimato do acompanhamento.
Sua dedicação definitiva à música ocorreu quando foi convidado a integrar o recém-formado Regional de Dilermando Reis, em 1945. A tarefa do novo grupo era substituir o Regional de Benedito Lacerda no acompanhamento de cantores da Rádio Clube do Brasil.
Compositor dos clássicos "Brasileirinho", "Pedacinhos do Céu" e o baião "Delicado", Waldir Azevedo contribuiu intensamente para a divulgação do choro nos anos 50.
Encantou o mundo com seu talento depositado nas cordas do cavaquinho em viagens pela América do Sul, Europa, Estados Unidos, Japão e Oriente Médio. Na divulgação da cultura brasileira no exterior, participou de duas edições da chamada "Caravana da Música Brasileira", organizada pelo Itamaraty.
Com mais de 20 LPs gravados, mudou-se para Brasília em 1971, onde viveu até a sua morte, em 1980.

 

Dia 16 de Março
Izaías e Israel recebem
Marco Antonio Bernardo

Natural de São Paulo, Marco Antonio Bernardo descende de família de destacados músicos. Seu tio Ciccillo (Francisco Bernardo) foi violinista-spalla da Orquestra Sinfônica Brasileira e músico requisitado em importantes gravações nas décadas de 40 a 60. É também sobrinho de Arthur Bernardo, violonista, vocalista, compositor e um dos fundadores do célebre Demônios da Garoa.
Estudou piano com Rosa Lourdes Civile Melitto, Lourdes França, Gilberto Tinetti e Lina Pires de Campos. É diplomado em Licenciatura em Educação Artística com Habilitação em Música pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Dedica especial atenção ao choro, que considera a linguagem musical de sua predileção.
Ao longo de 1999, teve passagem pelo Demônios da Garoa como vocalista e tecladista, culminando na gravação do CD "Mais Demônios Que Nunca", lançado em maio do ano seguinte. De sua discografia, destacam-se os seguintes títulos: "Homenagem a Canhotinho" (2000 - Digital) e "Encores" (2002 - Ouver Records). Em 2003 e 2005, lançou pela editora Irmãos Vitale os livros "Nabor Pires Camargo, Uma Biografia Musical" e "Waldir Azevedo, Um Cavaquinho na História". Em 2007 lançou o CD "O Cancionista" (Circuito Musical).

Homenageado
Canhotinho

Roberto Barbosa, conhecido como Canhotinho, é considerado o melhor cavaquinista brasileiro da atualidade. Aprendeu a tocar cavaquinho com sua mãe aos 10 anos de idade, iniciando sua carreira em 1958 na Rádio Cacique de São Caetano do Sul, onde acompanhava cantores com o grupo "Canhoto e Seu Regional".
Canhotinho foi considerado pelo próprio Waldir Azevedo o seu sucessor, tido como um dos poucos músicos do gênero a herdar o estilo e a técnica do mestre do cavaquinho.
Não por menos, Canhotinho deu seqüência ao último disco que seria gravado por Waldir Azevedo pouco antes de sua morte, em 1980. Para levar adiante o projeto, utilizou o cavaquinho que pertenceu ao grande mestre na gravação do LP "Luz e Sombras".
Nascido em Espírito Santo do Pinhal (SP), em 1938, Canhotinho ingressou no Demônios da Garoa em 1962 - grupo vocal-instrumental mais antigo do Brasil. Com o grupo, Canhotinho participou de memoráveis gravações, como o "Trem das Onze", "Iracema", "Saudosa Maloca", "O Samba do Arnesto", "As Mariposa", e "Vai no Bexiga pra Ver".
Em carreira solo, atuou na França, Holanda, Espanha e Portugal, retornando ao Demônios da Garoa em 1999, firmando-se definitivamente como integrante do grupo.

 

Dia 27 de abril
Convidado: Barão do Pandeiro  

Cantor, ritmista e pesquisador, Barão do Pandeiro nasceu e foi criado no meio do choro e do samba. Logo aos cinco anos de idade, Barão começou a tocar o instrumento que passou ser parte do seu nome. 

Logo cedo, teve como inspiração o imortal João da Bahiana. Conviveu e acompanhou grandes nomes da música popular brasileira, tais como Nelson Cavaquinho, Clementina de Jesus, Zé Kéti, Paulo Vanzolini e Cristina Buarque de Holanda. 

Como cantor, possui um repertório cultivado, característica essa reconhecida no universo do samba e do choro. Exímio pandeirista, é componente de regionais de choro e grupos de samba. 

Atualmente, comanda às quintas-feiras a Roda de Samba do Bar do Alemão, onde já se apresentaram como convidados artistas como Miltinho, Germano Mathias, Délcio Carvalho, entre outros.  

Homenageado: João da Bahiana  

João da Bahiana, nome artístico de João Machado Guedes, foi o responsável pela introdução do pandeiro no samba. Sua genialidade garantiu, desde cedo, lugar em alguns dos pioneiros grupos profissionais de samba, como o Conjunto dos Moles, Grupo do Louro, Grupo da Guarda Velha e Diabos do Céu. 

Nascido 1887, no Rio de Janeiro, seus avós eram ex-escravos e seus pais constantemente promoviam festas de candomblé - ocasiões nas quais exibia seu talento para a música tocando pandeiro. Teve entre seus amigos de infância Donga e Heitor dos Prazeres, que no futuro se tornaram parceiros em diversas composições. 

Em 1937, integrou o conjunto Os Cinco Companheiros, reunido por Pixinguinha, de quem foi amigo por toda a vida, que atuou no Dancing Eldorado e no Palácio Guanabara com Vicente Celestino e Gilda de Abreu. Participou da gravação organizada por Heitor Villa-Lobos para o disco produzido pelo maestro Leopold Stokowski, com sua música "Ke-ke-re-ké". 

Em 1968, ao lado de Clementina de Jesus e Pixinguinha, gravou o LP "Gente da Antiga", quando lançou os sucessos "Cabide de Molambo" e "Batuque na Cozinha". Acompanhou também Carmen Miranda, Sílvio Caldas, Mário Reis e Castro Barbosa. Em 1974, faleceu na Casa dos Artistas, em Jacarepaguá, onde havia sido recolhido dois anos antes.

 

Dia 4 de maio 
Convidado: Ted Falcon 

Nascido em Nova Iorque (EUA), o violinista Ted Falcon cresceu ouvindo Villa-Lobos e outros compositores brasileiros por influência de seu pai, também músico. Logo no início dos estudos, aos seis anos de idade, despertou sua identificação com a música brasileira. Seu desempenho impressiona pela fluidez com que executa no violino obras dos mestres do choro.

Freqüentador das melhores rodas de choro, Ted Falcon tem tocado ao lado de músicos como Armandinho Macedo, Dominguinhos e o grupo Época de Ouro. Nos Estado Unidos, Ted trabalhou com grandes músicos daquele país, como Ben E. King e Suzanne Vega. Na Universidade de Indiana, estudou jazz e choro, e, após se mudar para Los Angeles, passou a disseminar a música brasileira com seu grupo Los Angeles Choro Ensemble.

Em 2006, Ted lançou o CD “Memórias do Brasil”, em Los Angeles e Nova York, considerado sucesso de crítica na execução de clássicos do choro. Um ano depois, iniciou sua parceria com o gaitista brasiliense Pablo Fagundes, com quem gravou um CD.

Atualmente, realiza apresentações no Brasil acompanhado do violonista Emiliano Castro e outros nomes da nossa música, executando números de autores consagrados como Jacob do Bandolim, Tom Jobim e Hermeto Pascoal. 

Homenageado: Ernesto Nazareth 

Considerado um dos maiores compositores brasileiros, Ernesto Nazareth nasceu no Rio de Janeiro, em 1863, em uma modesta casa no morro do Nheco Cidade Nova. Iniciou seu aprendizado de piano com a mãe, que tocava valsas, modinhas e polcas em saraus. Aos dez anos, após a morte de sua mãe, continuou a estudar piano, tomando lições com o músico Eduardo Madeira e com o pianista Lucien Lambert. A partir daí, formou-se como autodidata.

Sua primeira composição, a polca-lundu “Você Bem Sabe”, foi escrita aos 14 anos. Mais tarde, começou a freqüentar rodas de chorões, influência que se refletiu em suas composições. Com um grande repertório de valsas, polcas, e músicas de salão, é tido como o fixador do tango brasileiro, a partir do célebre tango “Brejeiro”.

Em 1917 foi contratado como pianista do Cinema Odeon. Espectadores famosos, como Rui Barbosa, iam ao cinema só para ouvi-lo. O pianista polonês Arthur Rubinstein admirou-se com seus tangos após ouvi-lo, em 1918, e o compositor francês Darius Milhaud classificou-o como genial, incluindo quatro de seus tangos no famoso balé “Le Boeuf sur le Toit”. Grandes nomes eruditos homenagearam Nazareth em suas composições, como Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Francisco Mignone, e Radamés Gnattali. Nazareth faleceu em fevereiro de 1934. 

Dia 11 de maio 
Convidado: Toninho Carrasqueira 

Filho de João Dias Carrasqueira, Toninho Carrasqueira nasceu em São Paulo em 1952. Criado em um ambiente musical - suas duas irmãs estudavam piano e suas primas, acordeom e violão -, seu pai freqüentemente realizava saraus de música clássica e rodas de choro. Aos 14 anos iniciou suas apresentações em público ao lado de seu pai e de sua irmã Maria José, ao piano.

Aos 18 anos, ingressou na Orquestra Filarmônica de São Paulo. Em 1973, recebeu uma bolsa de estudos do governo francês, obtendo o Primeiro Prêmio de Flauta (medalha de ouro) do Conservatoire de Versalhes, e a Licence de Concert da École Normale de Musique de Paris. Iniciou sua carreira internacional como camerista e solista da Orquestra de Câmara de Heidelberg, Alemanha.

Professor na Universidade de São Paulo e em Festivais como os de Campos do Jordão, Ouro Preto, Curitiba e Brasília, dedica-se ao ensino e à divulgação da música brasileira. Membro do Quinteto Villa-Lobos, é presença constante como solista em orquestras como a Orquestra de Câmara de Rouen, Jazz Sinfônica de São Paulo, Camerata Fukuda, “The Tokio All Flute Orquestra”, entre outras. Transita, com a mesma propriedade, pelos universos erudito e popular. No choro, lançou um disco interpretando Patápio Silva e Pixinguinha. 

Homenageado: João Dias Carrasqueira

Conhecido como o “Canarinho da Lapa”, João Dias Carrasqueira foi um dos mais importantes flautistas e professores de flauta do país. Compositor, nasceu em Paranapiacaba (SP) em abril de 1908, e recebeu as primeiras lições do irmão José Maria Dias, flautista, compositor e poeta.

Ao mudar para São Paulo logo conquistou a amizade e admiração dos companheiros de serestas e chorinhos, ganhando o carinhoso apelido que o seguiu por toda a vida. Na mesma época, conheceu Pixinguinha e os “Oito Batutas”.

Premiado no Brasil e no exterior, integrou regionais e orquestras de rádios ao lado de Vicente de Lima, Omar Gonçalves, Garoto, Aymoré e Catulo da Paixão Cearense. Foi também solista do Regional de Armandinho Neves, além de formar dueto com Pixinguinha, quando este se apresentava em São Paulo. Compôs peças para trilhas sonoras de programas de televisão, entre as quais a telenovela “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo, para a TV Excelsior.

Além do trabalho nas rádios, divulgou obras do repertório clássico para flauta, participando de orquestras profissionais de São Paulo sob a regência de Villa-Lobos, Armando Belardi, Simon Blech, Souza Lima, Eleazar de Carvalho, Camargo Guarnieri, entre outros. Fundador do “Clube dos Flautistas de São Paulo”, faleceu em São Paulo aos 92 anos, em maio de 2000. 

 

Dia 18 de maio
Convidado: Vitor Lopes

Com destreza e versatilidade em suas apresentações, Vitor Lopes envolve a platéia ao executar na gaita obras dos grandes nomes do choro, como Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Ernesto Nazareth. Em sua formação, Vitor estudou gaita com Omar Izar, instrumentista de renome internacional e considerado um dos maiores mestres do instrumento.

Além da gaita, Vitor Lopes também estudou violão erudito, harmonia, percepção, piano, arranjo, re-harmonização e improvisação. Seus quase vinte anos dedicados aos estudos se traduzem nos três CDs que já produziu: “Um trio Vira Lata” (2003); “Vitor Lopes e Chorando as Pitangas” e “Viragem”, ambos lançados em 2006.

No exterior, Vitor Lopes já realizou sete turnês pela Europa, com apresentações na França, Espanha e Bélgica, tendo representado a gaita brasileira em eventos como O ano do Brasil na França (2005), Harmonicales (França-2004 e 2007) e Harmoliége (Bélgica-2006).

Vencedor do prêmio APCA em 2008 na categoria Instrumentista, é requisitado em gravações de jingles e CDs, já gravou tanto com artistas consagrados, como com artistas da nova geração da MBP, entre eles Chico Saraiva e Quinteto em Branco e Preto. 

Homenageado: Abel Ferreira 

Nascido em 1915 em Coromandel (MG), Abel Ferreira foi autodidata. Impedido pela família de estudar, pois necessitava trabalhar, seu contato com a música ocorreu às escondidas, quando escutava a banda filarmônica de sua cidade. Registros indicam que, aos cinco anos de idade, começou a tocar gaita; aos sete, flauta de bambu; e aos 12 anos, tocou pela primeira vez uma clarineta de 13 chaves - após ter iniciado estudos de teoria musical, através de um método da década de 1920, chamado “Artinha”.

Começou com o saxofone um pouco depois, aos 15 anos. Aos 17 anos tornou-se profissional, contratado pela Rádio Guarani, de Belo Horizonte. Em 1943, mudou-se para o Rio de Janeiro, passando a integrar a orquestra do Cassino da Urca.

Faz parte da geração dos grandes compositores de choro da década de 1940, junto com Jacob do Bandolim, Severino Araújo, e Waldir Azevedo. Ao lado de Pixinguinha e Luiz Americano, é considerado um dos criadores “escola brasileira de sopro”, tendo mais de 50 composições, entre choros, valsas, serestas, maxixes, baiões As mais conhecidas são “Chorando Baixinho”, “Acariciando” e “Luar de Coromandel”.

Na década de 1950 passou a excursionar pelo Brasil e pelo mundo com diversas formações, tornando-se o clarinetista preferido de vários cantores. Faleceu em 1980, no Rio de Janeiro. 

 

Dia 25 de maio
Convidado: Madeira de Vento 

Formado em 1998, o Madeira de Vento é um quinteto de clarinetas que faz música de câmara misturando elementos da música clássica, da MPB, das rodas de choro e das bandas de coreto.

Seu primeiro CD, “Chovendo Canivetes”, lançado pela Gravadora CPC-UMES em 2003, reúne obras de mestres da música popular, entre eles Luiz Americano, K-Ximbinho, Severino Araújo, Paulo Moura e Abel Ferreira, e de novos talentos, como Naylor Proveta e Hudson Nogueira.

O grupo teve participação destacada nos CDs de “Isaías e seus chorões” (CPC-UMES) e do grupo “As Choronas” (Gravadora Paulus). Participou em 2006 do “ClarinetFest”, organizado pela International Clarinet Association, em Atlanta (EUA).

João Francisco Correia, integrante da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, da Orquestra Sinfônica de São José dos Campos e professor do Conservatório de Tatuí/SP; Fernando de Oliveira, integrante da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo; Michel Moraes, da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos e professor da faculdade FAAM-FMU, Mário Marques, primeiro clarinetista da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos e professor da faculdade Mozarteum (SP) e Otinilo Pacheco, primeiro clarinetista solista da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e Sinfônica Municipal de Santo André, formam o Madeira de Vento. 

Homenageado: K-Ximbinho

Clarinetista, compositor, arranjador e regente, Sebastião de Barros, o K-Ximbinho, nasceu em 1917 na cidade de Taipu (RN), onde estudou clarineta ainda na infância. Mais tarde, mudou-se para Natal, ingressando em um conjunto de jazz. Ao servir o Exército, experiente na música apesar da pouca idade, teve contato com o saxofone, o que lhe rendeu o apelido.

Mas foi por meio das orquestras que voltou seu talento para o choro. Aos 21 anos de idade tornou-se membro da Orquestra Tabajara, de Severino Araújo, em João Pessoa (PB), gravando pela primeira vez, em 1946 a sua obra “Sonoroso”. Foram duas as suas passagens pela Tabajara, de 1938 a 1942 e, depois, de 1945 a 1949.

Neste intervalo, entre 1942 e 1945, tocou nas orquestras de Fon-Fon e Napoleão Tavares - duas das principais do Rio de Janeiro. Em 1951, juntou-se à grande orquestra da Rádio Nacional, e naquela mesma década fez uma turnê pela Europa.

Várias composições de sua autoria se tornaram clássicos do choro, tais como “Eu Quero É Sossego”, “Saudades de um Clarinete” e “Gilka”. Deixou cerca de 40 obras gravadas, desde os choros mais tradicionais, da década de 1940, até choros mais modernos. K-Ximbinho faleceu em 1980, no Rio de Janeiro.

 

Dia 1º de junho
Convidado: Chorando na Sombra 

Criado em 2006, o Chorando na Sombra apresenta extenso repertório de choro, executando, além de composições próprias, obras de mestres como Chiquinha Gonzaga, Joaquim Callado, Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Radamés Gnattali, e Juventino Maciel.

Compositores contemporâneos também influenciam o grupo, dentre os quais Altamiro Carrilho, Maurício Carrilho, Izaías Bueno, Antônio Rocha, Luciana Rabello e Paulinho da Viola.

Integrado por Márcio Modesto (flauta), Edu Fiorussi (violão de 7 cordas), Lucas Arantes (cavaquinho) e Roberto Amaral (pandeiro), o grupo tem entre seus objetivos valorizar e difundir a cultura do choro.

Com participação destacada em diversos festivais de música (5º Festival de Itajaí, SC - 2002; Festival de Mendes, RJ - Escola Portátil, 2006; Festival de Tatuí - 2006; Festival de Curitiba, PR - 2007), o Chorando na Sombra está sempre presente nas principais rodas de choro, como a da Contemporânea (Centro de São Paulo); a roda liderada por Izaías Bueno de Almeida (Vila Pompéia, São Paulo) e o Sarau de Danilo Brito (Praça Benedito Calixto, São Paulo). 

Homenageado: Joaquim Callado 

Joaquim Antônio da Silva Callado é considerado nada menos do que o Pai do Choro. Tido como o mais popular músico da época imperial na capital Rio de Janeiro, Callado nasceu em 1848, e iniciou seus estudos de flauta e piano com seu pai, mestre da Banda Sociedade União de Artistas.

Aos oito anos começou a estudar composição e regência com Henrique Alves de Mesquita. Lecionou flauta no Conservatório Imperial de Música e no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro.

Sua primeira apresentação em concerto foi feita para a família imperial. Sua composição de estréia, "Querosene", foi escrita aos 15 anos. Quatro anos, depois fez seu primeiro sucesso com "Carnaval".

Criador do primeiro grupo de choro - inicialmente composto por dois violões, uma flauta e um cavaquinho -, Callado é citado como nacionalizador da música brasileira. Seu maior sucesso, "Flor Amorosa", é número obrigatório para flautistas de choro.

Amigo e protetor de Chiquinha Gonzaga, Callado foi parceiro de Viriato Figueira da Silva, Ismael Correia, Lequinho e outros chorões.

Compôs diversas polcas e quadrilhas, e, em 1879, um ano antes de falecer, Callado recebeu a mais alta condecoração do Império: A Ordem da Rosa. 

 

Dia 8 de junho 
Convidado: Roberto Mahn 

Nascido em Piracicaba, interior paulista, Roberto Mahn despertou seu interesse pelo canto desde pequeno, incentivado pelo avô Amando Saglietti - colecionador de discos e apreciador da MPB.

Ainda na adolescência, passou a freqüentar rodas de choro, samba e seresta na sua cidade natal, o que lhe propiciou contato direto com diversos músicos e cantores da região.

Começou a cantar profissionalmente em 2003, aos 19 anos, em evento mensal intitulado "Noite de Seresta", promovido pela prefeitura de Piracicaba.

Participou do III e do IV Festival Nacional do Choro, realizados na cidade de São Pedro (SP) em 2007 e 2008, onde tomou aulas de canto de samba-choro com a cantora Amélia Rabello. Nestes eventos participou de rodas de choro com Cristóvão Bastos, Toninho Carrasqueira, Luciana Rabello, Pedro Amorim, Proveta e Antonio Rocha. Em 2008, ingressou na Universidade Livre de Música (ULM), em São Paulo, mesmo ano em que foi um dos primeiros colocados no Concurso de Calouros promovido pelo programa "Ponto do Samba", da Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

Freqüentador assíduo das melhores rodas de choro da capital paulista, cantou diversas vezes ao lado de grandes instrumentistas, entre eles Izaías Bueno de Almeida, Israel Bueno de Almeida, Marco Bertaglia, João Macacão, Arnaldinho do Cavaco, Zé Barbeiro, Antonio Rago e Alexandre Ribeiro. 

Homenageado: Sílvio Caldas 

Sílvio Narciso de Figueiredo Caldas nasceu no Rio de Janeiro em 1908. Desde a sua infância teve contato com a música - seu pai, afinador de piano e dono de uma loja de instrumentos musicais, era compositor amador de valsas, foxes, sambas e schottischs.

Com apenas cinco anos de idade fez sua primeira apresentação pública, no Teatro Fênix. Aos 16 anos foi para São Paulo trabalhar como mecânico de automóveis, ofício que havia aprendido desde os nove anos de idade. Mas a música falou mais alto. Três anos depois, voltou para sua cidade natal, contratado pela Rádio Mayrink Veiga por intermédio do cantor Antônio Santos, o “Milonguita”.

Ao lado de Orlando Silva, Francisco Alves e Carlos Galhardo, Sílvio Caldas se transformou em um dos cantores de maior sucesso da época de ouro da MPB. Pelas mãos de Ary Barroso, foi levado para o Teatro Recreio, onde lançou seu primeiro sucesso, “Faceira” (Ary Barroso).

Mas foi a partir de 1934, em parceria com Orestes Barbosa, que despertou seu talento para a seresta. Três anos depois, lançou dois de seus grandes sucessos: “Chão de Estrelas” (com Orestes Barbosa) e “Meu Limão Meu Limoeiro”, em dueto com Gidinho. Em 1938 foi eleito “Cidadão Samba” ao interpretar a música “Pastorinhas”, de Noel Rosa e João de Barro.

Sílvio Caldas faleceu em 1998 em seu sítio em Atibaia, onde passou os últimos 40 anos de sua vida. 

 

Dia 15 de junho 
Convidado: Quatro a Zero 

Criado em 2001, o Quatro a Zero nasceu a partir da união de quatro músicos de cidades diferentes, que se encontraram em Campinas (SP) no curso de graduação em música popular da Unicamp. Com histórias e origens distintas, uma afinidade comum selou a parceria: o choro.

O Quatro a Zero faz a transposição da linguagem e estrutura do choro do tradicional conjunto regional para um quarteto, cuja base é piano, guitarra, baixo elétrico e bateria, formação a que o grupo denominou choro elétrico.

Em 2004, conquistou o segundo lugar no 7º Prêmio VISA de Música Brasileira, lançando no ano seguinte seu primeiro CD, o "Choro Elétrico". Em 2006, o grupo imergiu na obra de Radamés Gnattali, resultando num show em homenagem ao nascimento do maestro, com as participações de Toninho Ferragutti e Rafael dos Santos.

Participou ainda de projetos como o Pixinguinha, excursionando pela região Norte do país, e do Circuito Instrumental Universitário, apresentando-se ao lado do grande bandolinista Joel Nascimento.

Neste ano, o grupo lança seu segundo CD ("Porta Aberta"), em homenagem aos chorões do interior paulista. 

Homenageado: Radamés Gnattali 

Nascido em 1906, Radamés Gnattali foi fundamental para o movimento de redescoberta do choro ocorrido na década de 1970. Grande incentivador e mestre de jovens instrumentistas, estimulava releituras de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e outros grandes nomes do choro.

Filho de uma pianista gaúcha e de operário italiano radicado em Porto Alegre, suas primeiras lições foram tomadas com sua mãe. Aos 9 anos de idade, ganhou seu primeiro prêmio como regente de uma orquestra infantil, que tocou arranjos de sua autoria. Aos 14 entrou para o Conservatório de Porto Alegre. Após se formar, em 1924, foi para o Rio de Janeiro, apresentar um concerto de Tchaikovsky no Teatro Municipal onde conheceu Ernesto Nazareth. Radicou-se definitivamente no Rio nos anos de 1930, onde fez sua estréia como compositor - com sua peça “Rapsódia Brasileira” interpretada pela pianista Dora Bevilacqua. Voltou-se também para a música popular, sendo contratado por orquestras que tocavam em bailes, festas e programas de rádio.

Em 1934 foi contratado pela gravadora Victor, e, em 1936, participou da inauguração da Rádio Nacional, onde atuou como pianista, solista, maestro, compositor e arranjador criando arranjos antológicos, como “Lábios que Beijei” (J. Cascata/ Leonel Azevedo), gravado por Orlando Silva em 1937, e “Aquarela do Brasil” (Ary Barroso), em 1939. Radamés faleceu no Rio de Janeiro em 1988. 
 
 

Dia 22 de junho (encerramento) 
Convidada: Dudáh Lopes 

Pianista de formação clássica e popular, Dudáh Lopes é diretora musical e arranjadora do grupo Flor Amorosa. Durante 11 anos, Dudáh estudou piano clássico com diversos professores, entre eles Mercedes Mattar, Roberto Sabbag e Denis Akel.

No Centro Livre de Aprendizado Musical (CLAM) estudou piano popular com o professor Amilton Godoy e na Escola Art Livre estudou teclado e teoria musical moderna com Sérgio Mattar. Além disso, Dudáh teve aulas de técnica vocal com o maestro Barros Garboginni; de violão popular com o maestro Capobianco e instrumentação e distribuição para orquestra, na Universidade Livre de Música (ULM), com o maestro Waltel Branco. Ainda na ULM fez o curso “O choro ao piano”, com o maestro Laércio de Freitas.

Dudáh foi arranjadora e acompanhou a cantora Tetê Espíndola no show “Eternamente Chiquinha”, apresentado no teatro Denoy de Oliveira, no projeto “Serenata na UMES”. Participou com “Izaías entre amigos” da gravação do CD “Quem Não Chora Não Ama”, lançado pela gravadora CPC-UMES.

Em 2002, com o Flor Amorosa gravou o CD homônimo, lançado pela gravadora CPC-UMES, que contou com a participação de Izaías e Israel Bueno de Almeida, Canhotinho e Kika Viana. 

Homenageada: Chiquinha Gonzaga 

Compositora, instrumentista e regente, Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro em 1847. Chiquinha é considerada a maior personalidade feminina da Música Popular Brasileira, além de um dos maiores nomes dos movimentos pelas liberdades no país - lutou ativamente pela abolição da escravatura e pela implantação da República. Primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil, iniciou sua carreira de compositora com apenas 11 anos de idade, com a natalina "Canção dos Pastores".

Fundadora da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, foi responsável pela introdução da música popular nos elegantes salões da então capital Rio de Janeiro, além de ser a primeira pianista de choro da história. Em 1899, compôs a imortal "Ô Abre Alas", precursora entre as marchas carnavalescas e considerada um hino do carnaval brasileiro até os dias atuais.

Convidada por Joaquim Antônio da Silva Callado a integrar o "Choro Carioca" como pianista, passou a freqüentar o ambiente artístico da época.

Escreveu sua última partitura, "Maria", aos 85 anos de idade, dois anos antes de falecer. Sua obra reúne dezenas de partituras para peças teatrais e centenas de músicas nos mais variados gêneros, como valsas, polcas, tangos, lundus, maxixes, fados, quadrilhas, mazurcas, choros e serenatas.

 

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