SEVERINO ARAÚJO: ENTREVISTAS

 


Jards Macalé e Severino Araújo. Leia biografia

Entrevista com Jards Macalé

Você poderia comentar  um pouco sobre como a música entrou na sua vida, quais foram as suas influências e um pouco dos seus interesses musicais?

Em minha casa – na Tijuca - pai, mãe e avó amavam (amam) a Musica.  Meu pai e minha avó me levavam a concertos, que eram realizados tanto no Teatro Municipal quanto em cinemas, com a Orquestra Sinfônica Brasileira, regidos por maestros como Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Guerra Peixe (que mais tarde viria a ser meu professor de orquestração e composição na Pro-Arte).

Minhas influências são muitas:  música popular brasileira através da Rádio Nacional, erudita, rock, jazz, folclórica; todas as formas que produzem sons e silêncio.    

Quando e como foi a primeira vez que você ouviu ou soube da existência de Severino Araújo? Como vocês se conheceram?

Quando nos mudamos para Ipanema tornei-me vizinho de Severino. Pela minha janela ouvia o som de um instrumento, mas não conseguia identificar de onde vinha.

Tornei-me amigo de Chiquinho Araújo, filho de Severino que, um dia, levou-me a sua casa.  Lá estava, sentado no sofá da sala, o produtor daquele som que eu ouvia da janela.

Como foi sua convivência com Severino Araújo? Conte-nos alguma história.

A melhor possível.  Fiz algumas cópias de orquestrações dele. Comecei a ler e a escrever através desse trabalho.  Mais tarde, toda vez que eu tinha algum problema relativo a música, telefonava pra ele.  Ele atendia e dizia:  “Qual é a dúvida , meu filho?”

Em 1977 eu estava fazendo a trilha sonora do filme “Tenda dos Milagres” de Nelson Pereira dos Santos, baseado no livro de Jorge Amado.  Compus um choro chamado “Choro de Archanjo”.  Convidei Severino para orquestrá-lo, e fiz questão que fosse gravado com a Orquestra Tabajara, em sua formação original.   Há muito tempo que a Orquestra não se reunia.  Foi uma emoção enorme.  Essa gravação está em meu disco “Contrastes”, pelo selo Som Livre.

De vez em quando jogávamos xadrez...e sempre levei surras homéricas.

Durante seu convívio com o maestro  Severino, ele  falava sobre como gostaria  que sua música fosse tocada, ou era totalmente imparcial sobre isso? 

As orquestrações de Severino são clássicas, originais. Nunca o ouvi falar desta ou daquela interpretação de músicas dele por outros. Como inventar outra leitura de “Espinha de Bacalhau”?

Como você resumiria a importância de Severino Araújo para o Choro e para a música brasileira?

A contribuição do Maestro é imensa.  O Choro e a música Brasileira têm uma dívida enorme com este homem, com este músico brasileiro que manteve e mantém, há anos, uma das melhores orquestras do mundo.

Fique à vontade para acrescentar outras informações que achar relevante.

O que tenho a acrescentar, senão minha maior gratidão a quem me deu o exemplo de como amar a música e ser músico com total paixão?

 

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