SEVERINO ARAÚJO: PEQUENA BIOGRAFIA
Por Carlos Coraúcci*

1917 – Às 2:00 horas da manhã do dia 23 de abril, no engenho São José, localizado em Cedro, distrito de Limoeiro, interior de Pernambuco, nasce Severino Araújo de Oliveira, filho de um mestre de banda militar, conhecido como “Mestre Cazuzinha”.

1925 – Seu pai, além de mestre de banda, também ministrava aulas de música. Percebendo que o filho tinha ouvidos apurados, pois já sabia todas as técnicas de solfejo, delegou ao garoto a responsabilidade de tomar as lições dos alunos. Severino, aos oito anos, ensinava técnicas musicais a pessoas bem mais velhas que ele.

1929-1934 – Com doze anos compôs seu primeiro dobrado, reconhecido e executado pelo pai, regente da Banda Municipal de Chã do Rocha, interior da Paraíba. Juntamente com quatro irmãos (todos músicos) e o pai, muda-se para o município de Ingá. Lá, esboça seus primeiros arranjos, tornando-se autodidata em música.

1937 – Compõe seu mais famoso choro: “Espinha de Bacalhau”, um dos mais executados no Brasil e no exterior.

1938 – Com o falecimento do maestro Olegário de Luna Freire, regente da Orquestra Tabajara, Severino assume o comando da orquestra, revolucionando suas exibições para o público.

1944 – No dia 6 de agosto, a convite de Assis Chateaubriand, vem para o Rio de Janeiro. Seis meses depois, traz toda a orquestra de João Pessoa para tocar na Rádio Tupi, lá ficando por dez anos.

1947 – Com extrema criatividade e inovação faz um arranjo em ritmo de samba para “Rhapsody in Blue”, de George Gershwin. O disco em 78 rpm, além de conter tal arranjo, trazia vários choros, inclusive outro grande sucesso de Severino, “Um chorinho para você”, feito especialmente para sua esposa Neuza. O disco bateu recorde de vendagem: um milhão de cópias.

1951 – Mesmo com o enorme sucesso da Orquestra Tabajara e já dominando por completo a arte musical, durante quatro anos é aluno do compositor e musicólogo alemão Hans-Joachim Koellreutter, responsável pela introdução das técnicas dodecafônicas no Brasil.

1966 – Ganha enorme destaque ao executar a “Abertura de O Guarani”, de Carlos Gomes, no I Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Rio.

1983-1985 – Recebe os títulos de “Cidadão Carioca” e “Cidadão Paraibano”, em reconhecimento aos serviços prestados através da música aos estados do Rio de Janeiro e Paraíba.

1988 – Completa cinqüenta anos ininterruptos regendo a Orquestra Tabajara, a mais longeva do mundo, com mais de 14.000 apresentações.

2008 – Com noventa e um anos ainda toca seu clarinete com grande maestria. Mora no Rio de Janeiro.

 

 

(*) Carlos Coraúcci é escritor e memorialista. Nascido em Franca, estado de São Paulo, é autor do livro “Um show de rádio – a vida de Estevam Sangirardi” – Editora “A Girafa” e organizador do livro “Histórias... que a História não contou” – fatos curiosos em 60 anos de rádio e TV – de Paulo Machado de Carvalho Filho – Companhia Editora Nacional. Leia biografia.

 

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