ERNESTO NAZARETH: SIGNIFICADO DOS TÍTULOS DAS MÚSICAS COMPOSTAS
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AMENO RESEDÁ - Polca. 1ª Ed. 1913
Dedicada ao glorioso Rancho Carnavalesco com o mesmo nome.
Primeiramente publicada pela Casa Arthur Napoleão (Sampaio, Araújo & Cia.), a vigésima sexta polca editada de Ernesto Nazareth recebeu o título de Ameno Resedá e foi dedicada a um rancho carnavalesco com o mesmo nome a pedido de um de seus diretores, o carteiro Napoleão de Oliveira.
APANHEI-TE, CAVAQUINHO!... - Polca. 1ª Ed. 1914
Dedicada ao distincto e particular amigo Juracy Nazareth de Araújo.
Com a indicação de “muito própria para serenatas”, veio a público pela Casa Mozart a edição princeps da polca Apanhei-te, cavaquinho!..., vigésima sétima composição desse gênero da lavra de Nazareth a sair publicada.
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Tornou-se um dos maiores sucessos do ilustre pianista e três versões procuraram, então, justificar-lhe o título: o aproveitamento de uma expressão da época, sempre aplicada a alguém flagrado em situação constrangedora; a de que o compositor teria procurado “representar”, no piano, dois significativos instrumentos de uma roda de “choro”: a flauta (na mão direita) e o cavaquinho (na esquerda) e, finalmente a falsa versão (já repetida em outras publicações), na qual se procurou afirmar que o músico teria dedicado sua polca a um certo “Mário Cavaquinho... o maior cavaquinista do Brasil!...”
Mas, conforme constatamos na partitura, o nome lá impresso é o de Juracy, que apesar do sobrenome, não era parente, pelo menos próximo, do autor.
BAMBINO - Tango. 1ª Ed. 1912
Dedicado ao bom amigo Cezar d’Araújo.
Depois de mais de uma década sem ter obras publicadas pela Casa Arthur Napoleão (a última fora a valsa Genial, em 1900), Nazareth teve editado seu vigésimo sexto tango, Bambino, dedicado a um dos então proprietários desse tradicional estabelecimento.
Quanto ao título, trata-se do nome artístico do afamado caricaturista Arthur Lucas, responsável, inclusive, pelo desenho de algumas capas de partituras do compositor.
Entusiasmado com o grande êxito alcançado por Bambino, Catulo, assim como fizera com Nenê, Bicyclette-club e Brejeiro, também resolveu dedicar-lhe versos e um novo título, Você não me dá!...
BATUQUE - Tango característico. Comp. 1901. 1ª Ed. 1913
Dedicado ao eminente pianista e compositor Henrique Oswald.
Segundo informação da professora Eulina de Nazareth, filha do compositor, à pianista Maria Alice Saraiva, uma de suas mais fiéis intérpretes, essa composição teria surgido por volta de 1901. Mas até a sua edição pela Casa Arthur Napoleão (Sampaio, Araújo & Cia.) em 1913, ainda sofreria algumas modificações como, por exemplo, o acréscimo da cadência que forma a introdução.
Trigésimo quinto tango editado de Nazareth, Batuque acha-se entre as obras-primas do compositor. E tanto em elepês quanto em CDs, já recebeu cerca de 30 registros, o que a insere no rol das músicas brasileiras escritas exclusivamente para piano e de fatura eminentemente erudita mais gravadas até hoje.
BREJEIRO - Tango. 1ª Ed. 1893
A seu sobrinho Gilberto Nazareth.
Primeiro tango de Ernesto Nazareth a sair publicado, Brejeiro foi dedicado ao sobrinho “Gigi”. Contudo, não se conhece o ano em que teria sido composto, somente o de sua edição princeps por Fontes & Cia., estabelecimento situado à Rua dos Ourives (atual Miguel Couto) nº. 51.
Em 1894, ou ainda no ano anterior (conforme algumas publicações), Fontes & Cia. encerrou suas atividades, surgindo então, no mesmo endereço, a Casa Vieira Machado & Cia., que de posse do acervo da empresa extinta continuou editando Brejeiro.
Em 1903 ou um pouco antes, com o estrondoso sucesso dessa obra, Catulo da Paixão Cearense acabou por colocar-lhe uma letra, o que concorreu ainda mais para aumentar a popularidade da música. Porém, com a poesia do ilustre “cearense” natural do Maranhão, veio, também, um segundo título, "O sertanejo enamorado", que, na interpretação de Mário Pinheiro, em 1904, recebeu seu primeiro registro fonográfico.
CARIOCA - Tango. 1ª Ed. 1913
Dedicado ao talentoso e inspirado artista Olympio Nogueira.
Pela Casa Arthur Napoleão (Sampaio, Araújo & Cia.), saiu a publicação do trigésimo sétimo tango editado de Nazareth e um dos seus maiores sucessos, Carioca, dedicado ao popular ator Olympio Nogueira.
Nascido em Campos dos Goytacazes (RJ), em 22 de junho de 1878, Olympio, por volta de 1908, já estava no Rio de Janeiro, então Capital Federal, quando resolveu aprimorar seus conhecimentos de violino com o mesmo professor de Diniz Nazareth. A partir daí surgiu fraternal amizade entre ele e o filho de Ernesto Nazareth, que depois se estendeu ao próprio compositor. Já no ano seguinte, 1909, consagrado pelo público carioca, principalmente por representar, com certa assiduidade, o papel de Jesus Cristo na peça “Martyr do Calvário”, passou a dividir suas performances entre os palcos do Rio e Lisboa. Morreria no ano de 1918, em conseqüência da Gripe Espanhola, deixando viúva e uma filhinha.
CONFIDÊNCIAS - Valsa para piano. 1ª Ed. 1913
Dedicada ao inspirado poeta Catulo da Paixão Cearense.
Dedicada ao grande Catulo, Confidências, décima sétima valsa publicada de Nazareth, saiu pela Casa Arthur Napoleão (Sampaio, Araújo & Cia.), na coleção “Soirées Brazileiras”.
Muito apreciada por Ruy Barbosa, conta-se que quando o jurista adentrava a sala de espera do Cinema Odeon, não poucas vezes só para ouvir Nazareth, o pianista imediatamente encerrava o que estava dedilhando e passava a interpretar essa valsa de grande sucesso.
Nascido em São Luís do Maranhão aos 31 de janeiro de 1866, e falecido no Rio de Janeiro em 10 de maio de 1946 com a idade de oitenta anos, Catulo da Paixão Cearense passou a residir com a família na Capital do Império a partir de 1880. Violonista, poeta e trovador popular, tinha grande predileção por adaptar versos a músicas de autores muitas vezes consagrados, entre os quais: Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros, Joaquim Callado e Chiquinha Gonzaga. Com seus poemas, deixou cerca de trinta livros publicados, sendo, ainda, o grande responsável pela valorização e conseqüente aproximação do violão junto às classes sociais de maior prestígio.
EPONINA - Valsa. 1ª Ed. 1913
Dedicada ao distincto amigo Virgilio Werneck Corrêa e Castro.
Primeiramente publicada pela Casa Vieira Machado, encontra-se a décima oitava valsa editada de Nazareth, Eponina. Linda moça, filha do casal Francisco Xavier da Silva Guimarães e Laurecênia Ribeiro Guimarães, Eponina (e não Epônina) nasceu em Niterói (RJ) por volta de 1885. Aos 26 anos (1911) tornou-se esposa de um conceituado médico, também da mesma cidade, Dr. Justino de Menezes. Em 1912, nasceu sua filha única, Maria da Conceição Guimarães de Menezes. Eponina, que conheceu Ernesto Nazareth mais ou menos em 1905, faleceu em dezembro de 1960, aos 75 anos.
ESCORREGANDO - Tango brasileiro. 1ª Ed. p.v. 1924
Dedicada à bella Orchestra da Brahma, dirigida pelo Maestro Russo.
Já em relação ao tango brasileiro Escorregando, dedicado à orquestra do popular Bar da Brahma, acredita-se ter sido primeiramente editado por volta de 1924, ainda que se conheça somente a publicação feita pelos Irmãos Vitale (1939). Em 1925, a Jazz Band Sul-Americano, de Romeu Silva, registrou essa música em disco cujo selo, equivocadamente, a apresenta como “maxixe”.
Entre as obras mais populares de Nazareth, Escorregando teve seu título certamente inspirado em particularidade encontrada na segunda de suas três partes, quando três dedos da mão direita tocam seqüência de cinco notas, cada qual oito vezes consecutivas, dando-nos a impressão de que deslizam, ou “escorregam”, sobre o teclado.
ESCOVADO - Tango. 1ª Ed. 1905
A seu irmãozinho Fernando Nazareth.
Em 1905, pela Casa Vieira Machado & Cia., viu o compositor as edições princeps de três obras suas: a valsa Coração que sente, seu décimo sexto tango, Escovado, dedicado ao irmão caçula, e o fado Ferramenta.
Dizia-se, na gíria da época, que “escovado” era um indivíduo “bem posto, arrumado, limpo” ou “esperto, ladino, manhoso”, expressões muito bem aplicadas ao menino de sete anos, alvo de todas as atenções e desvelos, principalmente por parte de seus pais idosos.
Em 1919, o compositor francês Darius Milhaud aproveitou o tema principal de Escovado em seu balé Le boeuf sur le toit, obra que alcançaria sucesso mundial.
ESTÁ CHUMBADO - Tango para piano. 1ª Ed. 1898
Vindo à luz por intermédio de A. Napoleão & Cia. na coleção “Soirées Brazileiras”, Está chumbado não apresenta nenhuma dedicatória em seu manuscrito ou suas mais antigas edições. Sabe-se, todavia, ter sido inspirado na pessoa de um amigo do compositor que era bem chegado a uma bebidinha!...
Da lavra do pianista, foi o décimo representante do gênero a sair publicado, e conforme as palavras de Mário de Andrade, trata-se de uma “obra prima cuja rhytmica é um pileque de expressividade impagável...”
Dos cerca de 88 tangos compostos por Nazareth, parece-nos que, além de “Está chumbado”, somente outros nove possuem introdução: Arreliado (inédito), Beija-Flor, Brejeiro, Desengonçado, O alvorecer, O futurista, 1922, Pairando e Proeminente.
EXPANSIVA - Valsa. Comp. & 1ª Ed. 1912
Ao amigo Edgard Xavier de Mattos.
Na época da publicação de Expansiva, sua décima sexta valsa editada que, durante a vida do compositor, foi a de maior projeção, Nazareth também se apresentava como pianista da Casa Manoel Antônio Gomes Guimarães, estabelecimento no qual, sobre a estante de um de seus pianos, terminou de escrevê-la.
FACEIRA - Valsa para piano. 1ª Ed. 1940 (póstuma)
Dedicada ao prezado amigo Jacintho Silva.
No catálogo de Ernesto Nazareth, acham-se duas peças dedicadas “ao prezado amigo” Jacintho Silva: Paraíso, “tango estilo milonga”, e Faceira, valsa impressa somente em 1940.
Proprietário da célebre livraria "O Livro", foi em casa de Jacintho Silva, à Rua Cubatão, que Ernesto passaria hospedado boa parte dos meses em que esteve em turnê por São Paulo.
FAVORITO - Tango. 1ª Ed. 1895
A Marietta Nazareth.
Pela recém-inaugurada Casa Vieira Machado & Cia., veio à luz a vigésima primeira composição de Nazareth publicada e seu terceiro tango, Favorito, dedicado a “Marietta”, filha do autor. Acredita-se, inclusive, que alguns anos mais tarde tenha recebido letra de Catulo da Paixão Cearense.
Maria de Lourdes Nazareth, talvez a mais brilhante discípula de seu pai, morreria em 1917, aos vinte e cinco anos, vítima de tuberculose ganglionar.
MATUTO - Tango. 1ª Ed. 1917
Dedicado ao amigo sincero Arnaldo Costa.
Publicado por A. Napoleão & Cia., esse tango procurou homenagear indiretamente o maior representante da música sertaneja daqueles tempos, o compositor e pianista Marcello Tupynambá, ilustre filho de Tietê (SP) e autor de obra homônima que alcançou sucesso nacional.
NENÊ - Tango. 1ª Ed. 1895
Ao amigo Dr. Jovino Barral da Fonseca.
No final de 1895, Nazareth viu sair a vigésima terceira edição de uma obra sua pela Casa Arthur Napoleão & Cia. Tratava-se de seu terceiro tango, Nenê, dedicado ao amigo Jovino, casado com Maria Amado da Fonseca, irmã de Maria José e esposa de seu cunhado, o Dr. Meirelles Filho. Quanto ao título, ainda não se pôde descobrir se seria o apelido de Jovino, de Maria Carolina (irmã do compositor falecida ainda mocinha), ou de uma linda viuvinha, sua ex-discípula.
Anos mais tarde, Nenê também recebeu letra de Catulo e, conseqüentemente, um segundo título - Sertaneja.
ODEON - Tango para piano. Comp. & 1ª Ed. 1910
Dedicado à distincta empreza Zambelli & Cia.
Aos 16 de agosto de 1909 inaugurou-se à Avenida Rio Branco nº. 137, esquina com Rua Sete de Setembro, o mais luxuoso cinema da cidade, o Odeon. Esplêndido estabelecimento, com duas salas de projeção e, próximo à entrada, no saguão de espera, um piano de armário, no qual um pianista procurava distrair o público que aguardava o início das sessões.
Em 1910, Nazareth foi contratado para tocar na sala de espera do Odeon. Naquele tempo, era costume chegar uma hora antes do filme e ficar apreciando as atividades da sala: pequenas orquestras, músicos típicos ou mesmo um bate-papo. E o nosso compositor virou a “coqueluche” do momento, ficando notório o fato de muita gente ir ao cinema só para ouvi-lo, deixando, inclusive, de assistir aos filmes.
OURO SOBRE AZUL - Tango. 1ª Ed. 1916
Dedicado a Carlos Bittencourt.
Aos 12 de outubro, no Teatro Recreio, à Praça Tiradentes, deu-se a estréia da revista “Ouro sobre azul”, de autoria da popular atriz Maria Lira. De caráter folclórico, gênero muito apreciado à época, o musical alcançou grande sucesso. E Ernesto, por sua vez, aproveitou o mesmo título para batizar um de seus mais famosos tangos, Ouro sobre azul, dedicado a Carlos Bittencourt, jovem nascido em 12 de dezembro de 1888 no Rio de Janeiro e falecido na mesma cidade aos 31 de agosto de 1941. Apelidado de “Assombro”, Bittencourt (ou Bettencourt), esteve intimamente ligado à história do teatro de variedades do Rio desde o princípio do século XX. E em parceria com Luiz Peixoto e música de Francisca Gonzaga, escreveu sua mais famosa revista: Forrobodó (1911).
“Ouro sobre azul”, por sua vez, trata-se de expressão portuguesa muito antiga, aplicada como resposta a quem perguntasse a outrem a quantas andava... Logo, se com esta última as coisas estivessem transcorrendo sobremaneira bem, respondia: “ - Comigo está tudo ouro sobre azul!...”
PERIGOSO - Tango brasileiro. 1ª Ed. 1911
Ao meu amigo Lino José Barbosa, proprietário da Casa Mozart.
Vindo a público sob os auspícios da Casa Mozart em dobradinha com a valsa Turbilhão de beijos, o vigésimo segundo tango editado de Nazareth, Perigoso, foi dedicado ao ilustre lusitano Lino José, proprietário desse importante estabelecimento situado à antiga Avenida Central (logo depois Rio Branco), nº. 127.
Feito em tom menor, o que é raro nos tangos de Nazareth, possui toda a terceira parte (que se deve tocar uma única vez) escrita em oitavas no original para piano, o que a torna ainda mais interessante. Já em relação ao título, seria o apelido de um jogador de futebol, ainda não identificado pelos biógrafos.
RANZINZA - Tango. 1ª Ed. 1917
Sem dedicatória.
Quinto e último tango impresso por A. Napoleão & Cia. (Sampaio, Araújo & Cia.), Ranzinza (Ch. nº. 7848) não apresenta nenhuma dedicatória na partitura impressa ou em seu manuscrito, ainda que seu título faça referência ao apelido de um amigo.
TENEBROSO - Tango. 1ª Ed. 1913
Ao bom e velho amigo Sátyro Bilhar.
A edição princeps de Tenebroso, trigésimo sexto tango publicado de Nazareth, veio à luz pela Casa Arthur Napoleão (Sampaio, Araújo & Cia.).
Sátyro Lopes de Alcântara Bilhar, violonista, compositor popular e “chorão” de primeiras águas, nasceu possivelmente no Rio de Janeiro por volta de 1860, e na mesma cidade faleceu aos 23 de outubro de 1926. Curiosamente, na primeira das três partes de Tenebroso, podemos perceber que o canto é todo feito pela mão esquerda e na região grave, o que nos leva a pensar nos bordões do violão do amigo ou, segundo alguns, na voz rouca do próprio Bilhar.
TOPÁZIO LÍQUIDO - Tango. 1ª Ed. 1914
Brinde da Cerveja Amazonense aos seus Apreciadores - Miranda Corrêa & Cia. Manaus. Tango encomendado à Casa Vieira Machado & Cia., no Rio de Janeiro, pelo empresário Maximino Miranda Corrêa, engenheiro civil e fabricante da “XPTO” (ou “Topázio Líquido”), cerveja fabricada em Manaus (AM). Pianista diletante, Miranda fez questão absoluta de associar o nome de Ernesto Nazareth ao de seu produto.
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