CHIQUINHA GONZAGA: SIGNIFICADO DOS TÍTULOS DAS MÚSICAS COMPOSTAS

1. Atraente (Attractive): Polca, composição de estréia, 1877. Nascida em roda de chorões na casa do compositor Henrique Alves de Mesquita, recebeu o nome de Atraente por arrastar os instrumentos presentes em improvisação típica do choro. Conheceu um sucesso estrondoso (15 edições em nove meses!) e projetou o nome de Chiquinha Gonzaga para a fama, de início incômoda. A súbita popularidade da autora foi encarada como provocação pela sua família, que passou a destru-ir as partituras vendidas nas ruas
por moleques escravos. É, até hoje, uma das suas composições mais gravadas, perdendo apenas para o popular Corta-Jaca.

2. Ó Abre Alas (Please Make Way): Primeira marchinha brasileira e primeira canção carnavalesca, composta em 1899 para o cordão Rosa de Ourodo bairro do Andaraí. Chiquinha Gonzaga já era maestrina consagrada quando se inspirou no cordão, do qual era vizinha, e compôs Ó Abre Alas. É um clássico do cancioneiro nacional, uma obra tão incorporada à cultura brasileira que se confunde como folclore. É, sem dúvida, a obra mais popular de Chiquinha Gonzaga, embora não esteja entre as mais gravadas.

3. Gaúcho “Corta-Jaca”: Tango brasileiro, editado com o título de Gaúcho, mais conhecido como Corta-Jaca. Integrou a opereta burlesca de costumes nacionais Zizinha Maxixe, representada no Teatro Eden Lavradio em agosto de 1895. Ao longo da história, freqüentou os mais diferentes palcos e repertórios: café-cantante, chope-berrante, teatro, rodas de choro... Mas foi no Palácio do Catete que ele atingiu a glória. Executado ali ao violão pela primeira-dama Nair de Teffé, causou escândalo político e terminou por apelidar a administração do presidente Hermes da Fonseca. É a música de Chiquinha Gonzaga mais gravada e manteve-se como um clássico do repertório de choro.

4. Sultana: Polca editada em 1878.

5. Cubanita: Habanera, composta c. 1898.

6. Passos no Choro: Polca brasileira, sem edição conhecida. O nome refere-se a Antônio Maria Passos, flautista do Grupo Chiquinha Gonzaga.

7. Plangente: Valsa sentimental, editada em 1877.  Publicada ainda no ano de estréia da compositora, sempre mereceu destaques entre suas melhores valsas de concertos.

8. Catita: Polca, editada, c. 1898

9. Não insistas, rapariga!: Polca. Composição de 1877.

10. Lua Branca: Modinha. Composta para a burleta de costumes cariocas Forrobodó, a Modinha de Siá Zeferina tornou-se um sucesso, acompanhando o sucesso da peça, que foi um marco do teatro popular brasileiro (Teatro São José, 1912). Na origem, tinha versos cômicos. Anos mais tarde foi “arranjada” em disco com o título de Lua de Fulgores, tendo versos seresteiros. Aparece editada em 1929 como Lua Branca, na versão que chegou aos nossos dias harmonizada por J. Otaviano, com versos românticos. Chiquinha Gonzaga teve que reclamar a autoria da modinha, denunciando o plágio e obtendo a vitória através da SBAT, entidade que ela ajudara a fundar. A letra permanece até hoje de origem desconhecida. Lua Branca tornou-se um clássico do cancioneiro brasileiro.

11. Biónne (Adeus): Tango, ca. 1895. Foi editado na França nas primeiras décadas deste século, quando o tango sul-americano (argentino e brasileiro) se internacionalizou.

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