ALTAMIRO CARRILHO: O QUE REPRESENTA
Quando questionado sobre a importância do aclamado flautista, o Maestro Júlio Medaglia destaca: “Altamiro é o maior do mundo”. E prossegue contando: “Para nós artistas e para a maioria dos apreciadores de música clássica, a orquestra Filarmônica de Berlim é o mais elevado símbolo da perfeição e encantamento sonoro do mundo. Há anos eles prometiam vir nos visitar. Finalmente, em 2000, um empresário os trouxe ao Brasil. Quando lá em Berlim com esses maravilhosos músicos, eu prometia: “quando forem ao Brasil, vamos tomar uma caipirinha lá em minha casa!”. Aqui, quando se diz, “apareça em casa” é para não aparecer. Alemão, ao contrário, quando diz uma coisa, é aquilo mesmo. Terminado o primeiro concerto em S. Paulo, notei aqueles olhares de cobrança, que diziam, sem falar, “e a caipirinha?” Combinei, então com a maioria deles, uma reunião em minha casa. Pensei comigo: “além da caipirinha, o que oferecer de música a esses melhores do mundo? Liguei para o empresário de Altamiro Carrilho e consultei se ele não estaria passando por S. Paulo à época. Para minha sorte sim. Às 11 horas em ponto de um sábado chegava a turma de músicos em minha casa, e logo depois, Altamiro com seus violeiros. Apresentei-o da seguinte maneira: “O Jean Pierre Rampal diz que “existem flautistas e existe Altamiro Carrilho”.
E o recital começou. Foi choro e caipirinha o dia todo, sem parar. Lá pelas 8 da noite, eu disse ao pessoal da orquestra: “Senhores. O maestro de vocês (Claudio Abbado) me convidou para jantar”. Sem a menor cerimônia, os músicos responderam: “não se preocupe, maestro. Pode ir jantar com ele...”. Saí deixando-os em minha casa, na melhor companhia que se podia imaginar. Na volta, meu rádio do carro estava ligado na Rádio Cultura. Lá pelas tantas, o locutor disse: “acaba de falecer em Paris Jean Pierre Rampal, considerado o maior flautista do mundo na atualidade”. Chegando, lá pela meia-noite, encontrei os filarmônicos embevecidos com nossa música e nem pensando em voltar ao hotel. Disse então: “Pessoal, ainda há pouco lembramos o nome de J. P. Rampal. Tenho uma triste notícia a lhes dar, que ouvi no rádio: ele acaba de falecer em Paris”. Levanta-se um músico da Filarmônica e diz: “agora Altamiro pode brilhar sozinho...”.
Ainda de acordo com o Maestro Júlio Medaglia, ‘O Brasil já teve muitos artistas de qualidade e prestigio internacional. É possível dizer-se, por exemplo, que Nelson Freire é um pianista tão excepcional quanto Marta Argerich. No caso de Altamiro, porém, ele não é tão bom quanto qualquer outro. Muito mais que reconhecimento internacional, por sua técnica, virtuosidade, linguagem flautística, repertório, suas composições ou interpretações, por seu brilho inteiramente original, enfim, temos que dizer: Altamiro é único.’
O pesquisador e crítico musical ,Sérgio Cabral endossa: “O que encanta em Altamiro Carrilho é que, além de um extraordinário flautista, é um amigo da platéia. Nunca vi um espetáculo em que ele deixasse de estabelecer, logo no início e com muito bom humor, uma espécie de cumplicidade com o público. Resultado: todo mundo feliz, nós, pobres mortais, e ele, genial instrumentista. Não tenho a menor dúvida de que esse é um dos mais agradáveis caminhos para atingir a felicidade. “
E por fim, o músico Izaías do Bandolim atesta:’“Acompanho Altamiro Carrilho praticamente desde o inicio de sua carreira, quando ainda integrava o lendário Regional do Canhoto. Dono de um estilo inconfundível, é responsável por uma enorme trilha de flautistas mais jovens, e é sem dúvida o marco inicial de uma “escola da flauta brasileira” - sua criatividade é peculiar tanto nos solos como nos contrapontos, sendo ainda um dos mais importantes compositores brasileiros. Criou novas e definitivas versões para o repertório “chorão”, proporcionando notável progresso nesse gênero tão nosso. Altamiro Carrilho brilhará eternamente entre as principais estrelas dessa constelação.
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